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domingo, 20 de janeiro de 2013

UM JOVEM


Não sei por onde andarão os jovens destas fotos.
Não sei o que fizeram das suas vidas ou mesmo se todos serão ainda vivos!
Pelo menos sei que um deles não tem vergonha de fazer parte destas imagens, não as nega, nem esconde nada do seu passado.
Sei que pelo menos um deles não negando nada do seu passado pode não sentir particular orgulho nele por hoje saber que não trilhou os melhores caminhos da barricada.
Mas por outro lado sente um enorme orgulho por que se ter dado inteiro a uma causa sem egoísmos e com todo o fulgor e generosidade da juventude.  
Sei que pelo menos um dos jovens da foto continua hoje a acreditar nos mesmos ideais e valores apenas tendo aprendido com os anos e experiência a trilhar o caminho da barricada certa.
Um dos jovens da foto continua a acreditar que valeu a pena.
Mas mais que isso, um dos jovens da foto, continua a acreditar que VALE A PENA!
Já não tem a força da juventude, os erros e as traições que sofreu deixaram-no mais céptico, com muito mais dificuldade de se dar por inteiro, com chagas na alma que ainda não sararam por completo.
Mas um dos jovens da foto continua, e continuará, sempre a acreditar que outra sociedade mais justa e fraterna, sem a exploração do homem pelo homem, é possível.
Um dos jovens da foto continua a lutar por essa sociedade nova dentro das suas possibilidades e fraquezas.    







sexta-feira, 19 de outubro de 2012

OS VAMPIROS - MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (2)


Em cima da tampa do poço, de pedra, o meu tio tinha posto o pesado gravador de bobinas provavelmente tecnologia de ponta para aquele início da década de 70.
A energia provinha da tomada do motor do poço e as laranjeiras faziam um sombra frondosa.
O menino olhava atento, e encantado, toda aquela “delicada”, manobra de pôr o gravador a funcionar, até a bobina debitar som. Era um menino curioso das tecnologias e de tudo o que era novidade.
Por fim a pesada máquina lá começava a debitar música e a minha tia numa atitude assertiva e cautelosa diz para o meu tio: põe mais baixo que se ouve na estrada!
O menino ainda não entendia porque aquela canção não se podia ouvir na estrada. Provavelmente nem entendia nada daquela letra que falava de vampiros que sugam o sangue fresco da manada.
Mas não tardou que o menino crescesse, conhecesse, e entendesse aquela canção muito bem.
Hoje quando a ouve ainda sente um arrepio na "espinha" e lembra-se, sempre, daquela memória de infância.
Hoje o menino / homem já compreende muita coisa e já deixou de compreender muitas outras mas sabe que eles estão ai de novo os VAMPIROS, mandadores sem lei.
Já a canção avisava: e se alguém lhes franqueia as portas à chegada...
Foi o que aconteceu, franquearam-lhe as portas e o resultado está à vista de todos.


sábado, 22 de setembro de 2012

DESCIDA AO PARAÍSO - MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (1)

O acaso das relações familiares levaram-me a um contacto profundo com a zona de Sintra, à sua Serra e às suas praias, na minha infância.
Tinha um familiar com casa em Almoçageme, nomeadamente a avó do meu ex-padrasto.
Houve uma altura em que o meus fins de semana de criança penderam para essa bela zona, depois começaram a dividir-se entre Sintra e o Ribatejo, também devido a laços familiares.
Sintra foi ficando para trás e o Ribatejo foi tomando espaço na minha vida, até que, novamente, as relações familiares, ou melhor um corte nas mesmas e uma mudança na vida da minha mãe, me provocaram a separação definitiva com Almoçageme e o Ribatejo tomou de tal maneira espaço na vida que aos 30 anos larguei a cidade que me viu nascer (Lisboa) e “exilei-me” aqui, onde ainda hoje estou.
Das muitas memórias que guardo de Sintra, uma das mais fortes, é a dos passeios que efectuávamos em família à Praia da Ursa.
A Praia da Ursa situa-se junto ao Cabo da Roca e é uma praia selvagem  e bela, de aceso bastante complicado e exigindo alguma destreza física, e cuidado, para lá se chegar abaixo.
Das minhas memórias de infância recordo as dificuldades que a família enfrentava para aceder á praia, em particular a minha tia e a minha mãe.
Para uma criança de 8 ou 9 anos aquilo era uma grande e difícil aventura plenamente compensada por aquela praia deserta e bela que parecia um pedaço do paraíso.
Já em adulto, enquanto esperava pelo término de um Grande Prémio do Fim da Europa, vi aquela placa a dizer “Praia da Ursa” e não hesitei em arriscar ir lá novamente.
Se a memória que tenho dessa descida (que já foi há uns anos) é de algo muito mais fácil que a grande aventura familiar de infância, a beleza dessa praia manteve-se inalterada em relação as minhas recordações de menino.
Como a vida é um círculo espero voltar à Praia da Ursa, mas desta vez integrando o percurso num dos meus treinos de corrida, aproveitando para apurar a forma para as provas de montanha.
As imagens que se seguem foram captadas pelo meu tio, num desses dias felizes, da grande aventura familiar que era ir à Ursa no final da década de 60 (1968 ou 69).

terça-feira, 18 de setembro de 2012

PRAIA DA URSA


PRAIA DA URSA


Fundir-me no teu corpo numa simbiose perfeita
de algas e mar.
Sorver dos teus lábios o fugaz néctar da
felicidade eterna.
Parar o mundo por longos instantes.
Eleger-te rainha, deusa, lei divina.
Enterrar fundo os medos e oferecer-te os oceanos
e as montanhas do mundo.
Esquecer-me de mim em ti.
Abandonar-me em ti, ai tão perdido, tão achado.
Destruir as fronteiras e países.
Juntar tudo no teu corpo de fada.
No teu corpo de sal.
Juntar tudo na fraternidade universal.
AMAR.
Jorge Branco, Muge, 21 de Junho de 1996