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segunda-feira, 27 de junho de 2011

sábado, 18 de junho de 2011

OS NETOS DO AVÔ CAVERNOSO

Esse vulto maior da cultura universal que foi, e será, José Afonso tem uma canção intitulada O AVÔ CAVERNOSO, que é uma alegoria ao ditador de Santa Comba Dão (Salazar).

Tendo em atenção as médias de idades do novo governo de Portugal, mas sobretudo das gentes que o compõem e as politicas que preconizam, não tenho qualquer dúvida em afirmar que os NETOS DO AVÔ CAVERNOSO chegaram ao governo!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

20 ANOS



O menino, um menino adulto de barba em desalinho e olhos tristes, tenta escrever qualquer coisa.
Tem a mesma insegurança de há anos atrás, quando timidamente escrevia: “Querido Pai Natal...”
O menino, um menino adulto, agarra-se à fragilidade das letras como se de um bom refúgio se tratasse. E o menino, um menino de quase 20 anos, recorda-se de quando saltava para o quintal da vizinha em busca do seu mundo.
É uma criança difícil, diziam; é um jovem estranho dizem.
Mas o menino, um menino que brinca com o mundo, esconde-se atrás das letras como se fossem o armário de há anos.
Tem o seu mundo impenetrável como um labirinto onde os outros adultos - não meninos - jamais penetram.
O menino, um menino que não acredita em anos internacionais, já não tem medo dos castigos, mas escreve com a mesma impressão de quando fazia as suas travessuras.
O menino, um menino triste, recusa-se a pensar que amanhã tem exame da primeira classe e continua com o olhar esquecido em qualquer barco de papel...
O menino tem medo, medo da sociedade como o teve da senhora que dava a pica.
O menino, um menino adulto, recusa-se a entender essa estranha linguagem dos adultos.
O menino, um menino adulto, escreve à máquina numa linguagem triste da mesma forma que no seu primeiro caderno escolar riscara esta palavra, misto de revolta e orgulho: JORGE. O menino vive!

28 de Março de 1980

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ÍNDIA

PASSAGEM PARA A ÍNDIA
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Lembra-te que não há só homens certos nos lugares exactos nos momentos ideais
Lembra-te que não há só os funcionários perfeitos
Lembra-te dos que têm fome de poesia
Lembra-te dos insatisfeitos, dos revoltados, dos que têm sofreguidão de viver.
Lembra-te dos imperfeitos, dos inadaptados, dos marginais da marginalidade e da vida
Lembra-te dos que têm teto mas não têm poiso para a alma
Lembra-te dos sonhadores, dos homens livres e escravos
Lembra-te dos que passam pela vida como um meteorito
Lembra-te dos que ditam mágoas numa folha de papel
Lembra-te dos que querem tudo e nada são ou nada têm

Lembra-te daqueles que não têm lógica e são o sal da vida
Deita flores às águas do Tejo que passam para a Índia e lembra-te de mim, ai lembra-te de mim, meu Amor
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31 de Janeiro de 1987 J.B.